
Pelos meus delírios e espasmo incandescentes da tortura da dor que ontem defenestrara minhas andas, por isso não alcancei nem o céu, e nem o inferno. (Fernando Marestoni).
Esboço
Conheci a obra “Elodia”, do grupo alemão Lacrimosa, quando já não era nenhuma novidade para aqueles ligados ao desenvolvimento da estética musical gótica. Isso foi no alvorecer da década zero. À ocasião, senti um furor intenso por finalmente ter contato com um trabalho musical que aliava a grandiosidade wagneriana a uma boa levada heavy metal.
Nunca igualado por trabalhos posteriores – ainda que “Fassade” seja um trabalho memorável – “Elodia” traz letras que poderiam descambar para o melodramático se não fosse a grandeza de espírito revelada na construção da harmonia. Simples, beirando o infantil em alguns momentos, extremamente complexa em outros, esta obra traz a erudição para a música pop. Sem abrir mão da mais autêntica força da música erudita, consegue fazer-se compreensível, sensível e trágica, para leigos e estudiosos.
Podem falar dos artistas
Este petróleo movimenta cada faixa de Elodia, com sua construção verdadeiramente onírica: ouvir “Sanctus” é como estar naquelas noites em que não sabemos se o que nos vem à mente é pesadelo ou sonho... A faixa magistra da obra é um hino de louvor ao deus cristão que se converte num grito de melancolia que conclama os infernos a novamente revoltarem-se contra aquele que criou os céus e a desgraçada terra...
Toda construção da obra é permeada por vozes que se insinuam, às vezes liricamente, às vezes roucas e gritadas, no melhor do doom metal, sem deixar-se levar por uma agressividade barata. Em nenhum momento Elodia apresenta uma poética agressiva. É extremamente sutil: mesmo quando dá seus maiores gritos de repulsa a tudo àquilo que sabemos o que é (sim, sabemos...), usa-se de uma doçura amarga que faz o mais duro dos corações parar de bater por um instante...
Dentro de uma análise psicossocial, Elodia antecipou o advento, na década de zero, de toda aquela estética sombria que já vinha sendo preparada para eclodir, nos oitenta com o gótico “raiz”, nos noventa com o grunge... Ainda que, para nosso pesar, dessa estética faça parte a tristezinha infantil dos “emos”, a grande produção do grupo Lacrimosa é obra-mater que antecipou aquilo que seria o século XXI: um século, até agora, dominado por profundas incertezas, onde nos vemos perdidos entre a necessidade de afeto e o mais selvagem individualismo. A estética emo nada mais é a solidão que, de tão doentia, torna-se infantilizada.
Lacrimosa, ao contrário desse desamparo de criança desmamada, traz a dor trágica daqueles que viveram o suficiente para saber que a vida não precisa ser assim... mas nossa sociedade está fazendo com que seja.
Pensando na obra subsequente de Lacrimosa, citada aqui, eu pergunto: haverá uma Morgen Danach (manhã seguinte) para nós?
Cedi esse espaço ao meu grande amigo Luiz Bosco S. Machado Jr., psicólogo, autor deste texto.
Entre meus dentes e meus lábios
Quero Morrer! Quando ontem me afastei de você com a alma completamente tumultuada, o coração esmagado por tantas emoções, sentindo-me gelado de horror, consumindo a seu lado minha existência sem esperança, nem sei como pude chegar ao meu quarto. Lancei-me de joelhos, fora de mim... E Deus meu Você meu Deus, Você me concedeu a consolação suprema das lágrimas mais amargas! (GOETHE, 2005, p. 101)._____________________________________________________________________________Tradução : “Nada iguala a extensão dos longos dias mancos, / Quando sob os pesados flocos da neve dos anos / O tédio, esse fruto da incuriosidade, / Atinge as proporções da imortalidade.”
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O abismo d’minha vida será sempre esta sina? Não poder realmente ter quem quero, por causa das
vidas passadas?
Responda-me destino, por que assim fico sem
saber o que fazer,
Esse sentimento pútrido sempre me deu vários devaneios,
mas nunca consegui desfrutar realmente por inteiro.
Porque a proporção do seu coração nunca
esteve em mim
Passei só para curar sua carência?
Pois acredito é o que o destino me reserva
Passar por instantes curtos, e ser desapercebido,
Tenho contido minhas emoções para não doar meu espírito,
E não cair em profunda dor, minha transcendência esta destinada
a cuidar de um amor
Que nunca existiu, pois é amor de outro e nunca por mim.
(Fernando Marestoni)
O livro começa com um epitáfio, onde demonstra um profundo desprezo pelo homem, de inicio o autor dedica o livro aos vermes: “Ao verme que primeiro roeu as fias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”. Na narrativa é feita pelo defunto Brás Cubas, que escreve a própria biografia a partir do tumulo, sendo, portanto o como o autor diz: “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo principio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas condições me levaram a adotar o seguinte método: a primeira é que não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem foi um outro berço, a segunda é que o escrito ficaria mais galante e mais novo”. (capítulo I, Óbito do autor).
A vida de Brás Cubas dês do nascimento ( Naquele dia, capitulo X, o menino é o pai do homem, cap.XI) demonstra de um forma diferente o principio da vida, ele e já se declara herói: “ Naquele dia, a arvore dos Cubas brotou um graciosa flor; “lavado e enfaixado, fui desde logo o herói da nossa casa”. Desde de criança também se intitulava opinático, egoísta e desprezador dos homens, Passando para adolescência ele começa a ter contato com mulheres, ele conhece a espanhola Marcela em dá o seu primeiro beijo, daí inicia-se uma nova fase, novas experiências, Marcela foi o principio de tudo, onde Brás conhece os prazeres da vida, quando ele vai para Europa estudar ele aprimora as vivencias, em outras palavras ele fica mais malandro, vivido, conhece como é a vida.
Nunca os amores de Brás dá certo, porque ele conhece pessoas com certos problemas morais e físicos tais como: A interesseira, a coxa, a casada...
Ele com olhar a frente daquela sociedade, vê tudo com escárnio, humor negro, ele tenta ser ministro, mas Lobo Neves passa sua frente, tenta varios projetos, mas nem sempre da certo, desiludido com tudo e todos, ele quer ser famoso, então, inventa o emplasto Brás Cubas, e o remédio vem para solucionar não só a própria melancolia do autor, mas a melancolia da sociedade que no ângulo de visão dele nada tem sentido, por que tudo esta melancólico e pútrefo: “Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondriaco, destinado a aliviar a nossa melancólica Humanidade”.( O emplasto, cap.II).
Comparando a vida dos heróis machadianos que são urbanos e vivem todas as consequencias da sociedade, que é a hipocrisia, casos extraconjugais, o interesse, o narcisismo, a competição pela sobrevivência, a adaptação ao meio que vive, sendo eles enigmáticos, mimam as mulheres, ciumentos, trágicos, como Luís Negreiros(Conto, O relógio de ouro)que ao final do ele trai a mulher em um caso extraconjugal, ou como Camilo(Conto, A cartomante) que é sarcástico, tem descrença no homem, prefere não ser nada, no inicio era ingênuo, perde as coisas mais importantes da vida como a mãe, tem um caso que não pode mostrar a sociedade por se relaciona com mulheres problemáticas como Rita que era casada, e conhece a cartomante interesseira: “Camilo tirou uma nota de dez Mil réis e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era de dois mil réis (Conto, A cartomante).” A vida dos três se ligam por que no livro(memórias póstumas de brás cubas) e nos contos (A cartomante e O relógio de ouro) machado desvenda a sociedade como ela é.
Analisando a obra(memórias póstumas de brás cubas) frente a realidade, machado quer dizer que a sociedade é podre, decepcionante, tudo gira entorno do dinheiro, do interesse, porque brás não tem Vigília totalmente, só parcialmente? Por que Lobo Neves a faria marquesa, a daria estatus, todos na sociedade quer ir além, mas precisamos ser chulos, falsos, hipócritas, machado discorre essas ilusões de brás para mostrar o quanto,nos vendemos por pouco, o quanto somos podres. Por isso o escritor nos mostra através do filosofo Tomaz Hobbes: “O homem é lobo de si proprio(O Leviatã,Tomaz Hobbes), a filosofia materialista e mecanicistas do filosofo diz que a percepção é explicada mecanica
mente a partir das excitações transmitidas, assim a moral se reduz o interesse e a paixão, como e Virgília, Marcela, no final ele perde o intesse de todos, brás cubas se mostra solitario por isso, como um lobo, a seguinte frase de Tomaz Hobbes define ao todo o que é o livro: Justiça e injustiça, não pertencem a lista das faculdades do espírito ou do corpo; pois, nesse caso, elas poriam ser encontradas em um homem que estivesse sozinho no mundo( como acontece seus sentidos e suas paixões).( O estado natural e o pacto social, Tomaz Hobbes).” Por isso um defunto e solitário.

Fernando Marestoni

Se por acaso um dia se lembrar de mim
Apareça para refrescar a cabeça
E sumirmos para montarmos nossos planos juntos
Planos que inda não se concretizaram
E quando o inverno chegar,
Apareça para que eu possa te esquentar
E fazer você flutuar sobre as nuvens
Vamos fugir pra bem longe
E deixar nossos planos se concretizarem.
Ainda que seja difícil pisar no chão
O seu olhar e seu beijo não me saem da cabeça
Me dê uma chance para provar que ainda
Posso fazer seu mundo diferente,
Ainda que seja difícil sei que posso
Fazer você novamente flutuar sobre as nuvens.
fenando marestoni
Lembro de você todo tempo
Mesmo não podendo te ter
Sei que ainda pensa em mim
Não vou desistir, pois sei que
Será difícil encontrar alguém
Como você novamente
Percebo que palavras não mais se encontram
e nossos pensamentos não mais se completam
era tão bom estar do seu lado
por tudo se completava e se encontrava
sei que ainda existe uma chance basta você querer
vem pra mim, vamos concretizar aqueles planos
quando escutar essa canção sei que vai lembrar de mim de nós
só queria te fazer feliz
Achei que a busca infindável por pelo ser singular e ideal
Havia acabado;
Mas percebi que o senhor tempo nunca esta favorável
A nós
Ele sempre nos remete a possibilidades que nem imaginamos,
Ah, como seria bom, mas acredito que a sina seja estar ao lado
De seres plurais e normais
Infelizmente as coisas não são como queremos
A se eu pudesse, manipular o tempo e voltar as
Horas e os ponteiros, para que única e simplesmente
Tivesse o domínio do tempo,
Mas sei isso é impossível, por que o favorável é
Desfavorável, o certo é sempre incerto e
É incabível pensar, portanto se torna iníquo querer
Dominar o tempo. por que ele sempre nos domina.
Autor:Odnanref.Inotseram

A ailocnâclem od uem otiep
Es etelfer an ainerfozinqes
Od aid-a-aid
Edno sezou ortned ad açebac
Maoce etnemacuol mes
Rarap, em-odnaxied etnematelpmoc odabruterp
Ho, seres od odnum laerri
Mexied eu rasnep rop mim
Oserm, siop missa ieracif
Siam omalc, oliuqnart
Ierev amu avon edadilaer
Omsem odendop em racuhcam
Sob: aiel sa searf an medro lamron, sam
sa sarvalap ed zárt arap etnerf

Dentro do meu peito ancora a dor
Do sentimento da perda.
Essa sofreguidão desatinou meu coração
E esfacelou meu ser enfadonho.
Fiz eu por merecer acredito,
Pois essa bucólica expressão que me persegue
Fez-se recalcada, fria e pálida.
Acreditei na confiança de que ainda algo existia,
Mas o que existiu não passou de mero platonismo,
Onde o sentimento sobrepôs-se sobre a razão e a
Mera parte do tentar entender.
Ah, dor que desatina, leve-me para o leito,
Onde meu descanso será eterno.
(Odnanref Inotseram, « Dor »)





